o processo da autodescoberta
não saber quem você é
Eu detesto quando me perguntam quem sou eu. Porque eu não sei responder a esse tipo de pergunta. Fico pensativo demais, sobre quem sou eu, porque não me conheço. É algo louco, tudo isso. Você habita no seu corpo e não sabe quem está habitando, só sabe que é você, e por uma fração de segundo, isso basta.
Como posso viver eu e não conhecer-me a mim mesmo? Eu não entendo. A única coisa que sei, é que sou louco, e talvez isso me resuma como a pessoa que sou. “Quem é você, Gustavo?” e eu respondo: “Sou louco, debilitado e vivo doente.”
Doente de quê?
Só Deus o sabe, porque nem eu sei. Apenas me sinto doente.
Como posso saber quem sou eu, se isso parece de nada importar, se as pessoas ao meu redor não parecem se importar e, mesmo assim, sigo em frente tentando me entender? Talvez seja justamente esse o paradoxo: busco uma identidade, um sentido, um lugar, mas, ao mesmo tempo, essa busca parece tão distante, como algo que nunca se resolve. Afinal, quem sou eu em um mundo que muda tanto e me força a mudar também?
É esquisito porque eu sei exatamente quem quero ser, mas não faço a menor ideia de quem sou. Eu quero ser vivo. Mas, já não sou vivo? Não respiro, não sinto, não escrevo poesias? Então, por que não me sinto vivo? E como posso querer eu me sentir vivo se já o sou?
Querer ser algo que você já é, é como buscar algo distante sem perceber que está ao seu alcance o tempo todo.
É como olhar para o espelho e não reconhecer o reflexo, tentando moldar-se em algo que já está dentro de você, esperando para ser vivido. Às vezes, a maior dificuldade é aceitar o que somos, pois nos deixamos levar pelas expectativas externas, esquecendo que a verdadeira transformação acontece quando paramos de buscar fora o que já possuímos dentro.
É um paradoxo, porque quanto mais buscamos algo que já faz parte de nós, mais nos afastamos da verdadeira essência do que somos. Estamos sempre tentando preencher um vazio, quando, na realidade, esse vazio é apenas o espaço onde a aceitação e o autoconhecimento devem entrar. A chave não está em se tornar algo novo, mas em reconhecer e abraçar o que já está em nós, com suas imperfeições, seus medos e suas qualidades. Só então conseguimos ser o que já éramos, mas ainda não havíamos percebido completamente.
E é complicado porque tenho que guardar todos esses questionamentos para mim mesmo, pois ninguém me entenderia se eu os expressasse em voz alta. Não quero chamar atenção, não quero que as pessoas me achem maluco. Eu só… só quero ser ouvido!
Seria pedir de mais?
Será que é tão difícil encontrar alguém que me escute de verdade, sem julgamentos ou expectativas? Talvez eu só precise de um espaço onde minhas palavras não se percam, onde minha voz não seja abafada pela rotina apressada do mundo. Não é sobre ser o centro das atenções, é sobre ter o direito de existir plenamente, de expressar o que sinto sem medo de ser mal interpretado. Só quero que alguém olhe nos meus olhos e diga: “Eu estou aqui para ouvir você.” Será que isso é demais?
Tudo é uma droga de uma descoberta, e eu estou cansado de perceber coisas que não quero em mim mesmo, porque sei que serei julgado e massacrado por isso. O simples fato e eu existir causar dor em quem eu amo e procuro validação sempre é o que mais me machuca, e é por essa razão que me faço de louco, para que as pessoas não comecem a me odiar se eu contar quem sou realmente e do que gosto!
É como se eu estivesse em uma prisão, onde a única maneira de escapar fosse esconder minha verdadeira essência, mas, ao mesmo tempo, esse esconderijo me corrói por dentro. Eu me distancio de quem sou para agradar, para evitar a dor de ser rejeitado, mas isso me destrói lentamente, como se cada mentira que conto a mim mesmo fosse uma peça que me afasta de algo que nunca poderei recuperar: minha verdade. E, no fim, a dor que eu tento evitar acaba se multiplicando, porque, no fundo, sei que o maior peso que carrego não é o julgamento dos outros, mas o de não ser eu mesmo.
Mas, espere aí… Se as pessoas que eu amo vão parar de me amar se eu for quem eu sou, mesmo já sendo, quem é que elas estão amando, afinal?
Será que elas amam a imagem que eu criei para agradar, ou o que projetam sobre mim? E, mais importante, será que esse “eu” que elas amam é realmente eu, ou apenas uma versão filtrada, moldada pelo medo de ser rejeitado? Se o amor delas depende de eu ser algo que não sou, será que esse amor é realmente verdadeiro? Talvez seja hora de enfrentar o desconforto de ser quem sou, sem me esconder, para ver se o amor que tenho ao meu redor é genuíno o suficiente para aceitar minha verdade, com todas as minhas imperfeições e singularidades.
Se o amor delas for real, talvez seja esse o momento de elas me verem de verdade, sem máscaras, sem disfarces. E, se não conseguirem, então talvez esse amor que eu tanto temo perder já não era o que eu pensava ser. Talvez o amor verdadeiro não dependa daquilo que mostramos aos outros, mas do que conseguimos ser com eles. Se eu preciso esconder minha essência para ser amado, então eu me pergunto: será que estou amando a mim mesmo? Ou estou apenas vivendo na expectativa de ser aceito por aqueles que nem sequer conhecem o meu eu mais profundo? Pode ser doloroso enfrentar essa realidade, mas talvez, ao me mostrar como realmente sou, eu descubra quem realmente está ao meu lado, disposto a me amar com todas as minhas complexidades.
O problema é que eu não posso viver com a rejeição daqueles que são importantes pra mim, e por isso, eu me escondo. Mas estou cansado de me desconhecer por causa do que os outros irão achar.
Apenas cansei.





Amei seu POST ! Sua escrita é muito viciante e faz o leitor se conectar como pessoa .
Algumas pessoas levam a vida tentando descobrir o que são e na maioria das vezes não gostam quando descobrem. Eu não quero saber o que sou, quero saber até onde posso ir, o quanto eu posso ser melhor, o quanto eu consigo ser melhor do que essa versão que já sou e um dia já fui. Não ligo para quem sou hoje, mas a eu de amanhã precisa ser melhor !